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Data: 14/04/2020
 
Com formação em psicologia pela Universidade Estadual de Maringá e Pós-Graduação em Gestão de Pessoas pelas Faculdades Maringá e Instituto Paranaense de Ensino.
Dra Giovana Gimenez
 
Burnout na clínica psiquiátrica
 

 

RESUMO 

A síndrome de burnout, identificada na década de 1970, caracteriza-se por uma tríade de dimensões (exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal) e é uma condição relacionada à organização do trabalho. Entretanto, não consta nas classificações psiquiátricas. O artigo apresenta o conceito de burnout, estabelece o seu atual status nosológico e introduz uma breve discussão sobre a diferença entre burnout e depressão, a partir do relato de um caso atendido no Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

Descritores: Burnout, depressão, diagnóstico, organização do trabalho. 


INTRODUÇÃO 

A associação entre condições de trabalho e ocorrência de doenças físicas e transtornos mentais vem sendo mais estudada a partir da segunda metade do século XX1, mas o reconhecimento clínico de tal relação é pequeno2. O burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, tem sido alvo de estudos de prevalência3, análises da validade de constructo4, identificação de fatores de risco ou de proteção5 e objeto de matérias na imprensa. Na literatura médica, tem ocupado espaço fora da psiquiatria, particularmente na medicina ocupacional, psicossomática e clínica médica.

Estudos de prevalência com profissionais de saúde mostram taxas de burnout variando entre 30 e 47%6,7. A taxa de burnout na população de trabalhadores da Finlândia chegou a 27,6%8. No Brasil, a ocorrência se encontra na faixa de 10%9.

Por definição, burnout é uma condição de sofrimento psíquico relacionada ao trabalho. Está associado com alterações fisiológicas decorrentes do estresse10 (maior risco de infecções, alterações neuroendócrinas do eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal, hiperlipidemia, hiperglicemia e aumento do risco cardiovascular), abuso de álcool e substâncias11, risco de suicídio12 e transtornos ansiosos e depressivos13,14, além de implicações socioeconômicas (absenteísmo, abandono de especialidade, queda de produtividade14,15). Entretanto, não consta nas classificações psiquiátricas.

Freudenberger16,17, em 1974, descreveu o burnout como um "incêndio interno" resultante da tensão produzida pela vida moderna, afetando negativamente a relação subjetiva com o trabalho. Segundo Maslach et al.18, o burnout é uma síndrome psicológica resultante de estressores interpessoais crônicos no trabalho e caracteriza-se por: exaustão emocional, despersonalização (ou ceticismo) e diminuição da realização pessoal (ou eficácia profissional). A exaustão emocional (EE) caracteriza-se por fadiga intensa, falta de forças para enfrentar o dia de trabalho e sensação de estar sendo exigido além de seus limites emocionais. A despersonalização (DE) caracteriza-se por distanciamento emocional e indiferença em relação ao trabalho ou aos usuários do serviço. A diminuição da realização pessoal (RP) se expressa como falta de perspectivas para o futuro, frustração e sentimentos de incompetência e fracasso. Também são comuns sintomas como insônia, ansiedade, dificuldade de concentração, alterações de apetite, irritabilidade e desânimo.

O instrumento mais utilizado para o diagnóstico de burnout é o Maslach Burnout Inventory (MBI)19. Possui três versões aplicáveis a categorias profissionais específicas: MBI-HSS (Human Services Survey), para as áreas de saúde/cuidadores ou serviços humanos/sociais; MBI-ES (Educator's Survey), para educadores; e MBI-GS (General Survey), para profissionais que não estejam necessariamente em contato direto com o público-alvo do serviço. É auto-aplicável e avalia as três dimensões do burnout (EE, DE e RP). No Brasil, até o momento, só estão publicadas adaptações para o português das versões MBI-HSS e MBI-ES20.

É típica a história pessoal de grande envolvimento no trabalho, visto como prioridade de vida ou uma missão. Entretanto, os fatores relacionados à organização do trabalho (divisão do trabalho, tempos, ritmos e duração das jornadas, remuneração e estrutura hierárquica)21 são considerados preponderantes na determinação da síndrome22. Pesquisas recentes vêm ressaltando a importância da personalidade e do temperamento como fatores de risco para burnout23.

A síndrome do esgotamento profissional integra a Lista de Doenças Profissionais e Relacionadas ao Trabalho (Ministério da Saúde, Portaria nº 1339/1999)24. Está classificada sob o código Z73.0 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão - CID-10), como problema que leva ao contato com serviços de saúde.

 

Fonte: Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

 

Print version ISSN 0101-8108

Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul vol.28 no.3 Porto Alegre Sept./Dec. 2006

 

 

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